A grandeza não é onde permanecemos, mas em qual direção estamos nos movendo. Devemos navegar algumas vezes com o vento e outras vezes contra ele, mas devemos navegar, e não ficar à deriva, e nem ancorados.

Oliver Wendall Holmes

13.2.19

Caixa de Ferramentas: FMEA


Olá!

Sejam bem-vindos mais uma vez ao nosso encontro no Blog “Carroceiros” de Plantão para falarmos sobre Carrocerias Automotivas e assuntos correlatos.



Segunda feira mal começou e antes mesmo de você chegar na fábrica, o SQE daquela montadora já te ligou no meio do caminho, querendo marcar o buyoff das ferramentas para essa semana.

Mas como marcar um buyoff se as peças ainda apresentam grande variedade dimensional, superfície ondulada e precisando de alguns ajustes?

Precisa de mais umas duas semanas para resolver esses e outros pepinos e o SQE quer marcar o buyoff para essa semana. Deus nos acuda!

Todos estes problemas, sejam eles isolados ou não, podem causar grandes dores de cabeça ao pessoal de produção que precisa iniciar a produção da peça urgente e claro ao pessoal da ferramentaria também, que vai passar um bom tempo lutando para corrigi-los.

Nessa hora com certeza muitas perguntas e respostas aparecerão do nada. Porque se fez o furo nessa operação? Não está faltando um batente aqui? Poderia ter colocado uma gaveta ali? Esse material é muito duro... springback muito alto.



Mas qual é a melhor hora para resolver os problemas? Com certeza não é quando sai o primeiro produto da ferramenta, ainda que seja algo embrionário mas o melhor momento é antes que eles ocorram.

Antigamente era até que aceitável que após o termino da construção de uma ferramenta, que se levasse um tempo para se “ajustar” as ferramentas, efetuar algumas correções mesmo já iniciada a produção, mas hoje em dia com a concorrência acirrada do jeito que está, independente do tamanho da ferramentaria, isto já não é mais aceitável.

Hoje já dispomos de softwares que conseguem simular todo o processo de estampagem, conseguimos reduzir os problemas de Springback, reduzimos o tempo de tryout.



O cliente hoje quer receber a sua ferramenta 100% funcional, produzindo uma peça livre de defeitos
A Análise de Modos de Falhas e Efeitos ou simplesmente FMEA (Failure Mode and Effect Analysis) é uma ferramenta utilizada para prevenir falhas e analisar os riscos contidos em um processo.
E através da identificação das suas causas e dos seus efeitos podemos identificar as ações que serão utilizadas para evitar que estas falhas aconteçam.

O FMEA pode ser aplicado em diversas fases: no desenvolvimento do Produto, no desenvolvimento dos meios de produção (ferramentas, dispositivos e etc.) e na produção.

Seja em qual fase for, precisamos identificar qual objetivo estamos tentando alcançar:
·         Um produto, uma peça que atenda as especificações de projeto,
·         Uma ferramenta ou dispositivo que produza peças com qualidade,
·         Uma produção com zero falhas



A intenção aqui não é de descarregar um monte de tabelas e fórmulas matemáticas, para demonstrar conhecimento sobre o assunto, mas de motivar as pessoas a procurarem aprender um pouco mais sobre o assunto e praticarem nas suas empresas, sejam elas de que tamanho for.

Sua elaboração não pode ser vista como o trabalho de uma só pessoa e se assim for tratado, pode ter certeza de que se estará fazendo errado. O FMEA é uma oportunidade de canalizar recursos, alinhar esforços para se antecipar aos problemas que podem acontecer.

Deixo abaixo alguns links onde o amigo leitor poderá obter mais conhecimentos sobre o assunto:




Uma dica: caso tenha interesse em se aventurar no fascinante mundo do FMEA, inicie elegendo assuntos de pouca magnitude e conforme for ganhando experiência e confiança vá aos poucos aumentando a régua.

Lembre-se que a prática leva a perfeição!

Tenham todos uma ótima semana e aproveitem bem o seu tempo ao lado daqueles que lhe querem bem.

Um abraço!
carroceria.2008@gmail.com

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30.1.19

Novos Materiais, novos Profissionais.


Olá!

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Preste atenção na conversa fictícia de um engenheiro de uma montadora com o proprietário de uma pequena ferramentaria:
“...
- Nós aqui não trabalhamos com projetos não. Tenho um bom ferramenteiro, seu Oscar (nome fictício), a gente joga a peça na mão dele e ele “bola” a tira e a ferramenta de cabeça. Garanto que funciona!
- Como assim joga a peça na mão dele? É um modelo matemático! Você vai precisar de um computador para poder abrir o modelo 3D e estudar como produzir.
- Xii!!! O Sr. Oscar não sabe mexer no computador não! Computador aqui só serve para a secretária ler email, emitir pedidos de compra e ver saldo bancário da empresa. Vocês não têm um protótipo da peça não?
- Preciso de um cronograma detalhado da construção da ferramenta...
- Ah isso eu não tenho não... posso fazer na mão mesmo? ”



Essa conversa poderia muito bem ter acontecido ainda no século XX onde como diziam alguns bons profissionais com quem tive a sorte de trabalhar, tudo era feito na “unha”, com poucos recursos; mas pasmem, ela ainda é passiva de acontecer nos dias de hoje, principalmente quando o objetivo é reduzir investimentos.

Projetos que exigem um mínimo de tecnologia, como um computador, uma ferramenta CAD, usinagem CNC, ás vezes são entregues para empresas desprovidas de qualquer tecnologia, no melhor estilo “se vira! ”.

Nas últimas três décadas, milhares de novos tipos de aços foram sendo introduzidos no mercado, consequentemente o negócio de estampar peças em chapas de aço, também mudou, assim como o conhecimento sobre estampagem de metais expandiu.



Os Aços de alta resistência (AHSS) são materiais complexos e sofisticados, diferente dos aços doces de trinta anos atrás; são exclusivamente leves e projetados, sim projetados, para atender aos desafios dos veículos quanto ás rigorosas regulamentações de segurança, redução de emissões e de desempenho, tudo isso mantendo os custos acessíveis.

A experiência do Sr. Oscar, embora ainda valorizada nos dias de hoje, não é mais a única medida da capacidade de um colaborador, novos requisitos surgiram; hoje é necessário ser competente em computação, ter uma base sólida em matemática, saber elaborar uma boa análise de dados, conhecer as propriedades mecânicas de chapas metálicas, ser adaptável ​​a mudanças e principalmente saber como fazer uma comunicação eficaz para obter sucesso.

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Empregados mais velhos como o Sr. Oscar geralmente precisam aprender novas habilidades e claro principalmente saber se adaptar às mudanças.



Óbvio que isso não se aplica tão somente ao colaborador do chão de fábrica, tal mudança precisa ser absorvida também pelas empresas e principalmente pelos seus dirigentes, do contrário será cada vez mais difícil para esta acompanhar as mudanças do seu setor e fornecer continuamente componentes de qualidade aos seus clientes.

É fato que o ambiente de fabricação da indústria 4.0 (seja de qual setor for), está baseado em ciência e matemática e exige que os colaboradores tenham uma sólida base educacional e que seus empregadores desenvolvam programas de treinamentos contínuos. Isso permitirá que tanto a Empresa como seus colaboradores possam se adaptar às mudanças nas novas tecnologias e novos materiais que prometem serem cada vez mais rápidas.



Tenham todos uma ótima semana e aproveitem bem o seu tempo ao lado daqueles que lhe querem bem.

Um abraço!


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